Institucional
Sobre a Escola Nacional de Formação
A Escola Nacional de Formação do PT (ENFPT) foi criada pelo 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores e tem como finalidade implantar, de forma permanente, a política nacional de formação do PT, em acordo com o Estatuto do partido, sobretudo em seu artigo 241, que define:
“a formação política, coerente com a característica plural e democrática do Partido, deve ser estimuladora do exercício crítico, superando o dogmatismo e a retransmissão de verdades prontas. Sua metodologia deve adotar como base a pluralidade de visões e interpretações existentes no Partido e na sociedade, fazendo do debate, da dúvida e da polêmica, uma estratégia sempre presente em suas atividades”.
A Escola está voltada à formação dos militantes do PT, que incluem: novos(as) filiados(as) e militantes de base; dirigentes e integrantes das instâncias partidárias e setoriais; parlamentares, gestores(as) públicos, militantes que atuam em governos dos quais o PT participa; petistas que atuam nos movimentos sociais. Para cumprir tal missão, desenvolve atividades formativas presenciais e virtuais, orientadas pelas suas Diretrizes Curriculares e Metodológicas.
Diretrizes curriculares e metodológicas
1. Organização dos currículosO princípio dos processos de formação deverá ser o socialismo democrático e os programas que o PT construiu para o País.
O socialismo petista não tem uma matriz política ou filosófica única, abrigando ampla pluralidade ideológica no campo da esquerda. Associa a luta contra a exploração econômica ao combate a todas as manifestações de opressão que permeiam as sociedades capitalistas e que – segundo mostrou a experiência histórica – persistiram, e até mesmo se aprofundaram – nas sociedades ditas socialistas. (Resolução do 3º Congresso – página 13).
Essa abordagem se justifica porque o PT, como um partido político comprometido com a ação voltada à transformação do País, realiza a reflexão sistematicamente para a ação.
A partir da relação ação-reflexão-ação, deve apresentar e discutir os fundamentos, as concepções e diretrizes de suas políticas nacionais, na direção da realização de um desenvolvimento sustentável, da justiça social, da superação das desigualdades, de todas as formas de discriminação, do fortalecimento das práticas democráticas na sociedade como ponto de partida mobilizador da atenção dos(as) militantes.
A partir das concepções sobre o socialismo democrático, definidas nas resoluções do partido, deverão ser tratados os principais aspectos do Programa Democrático Popular, sua condição de sustentabilidade, de suas implicações regionais (relação entre o projeto nacional e as políticas regionais e locais) e internacionais (relações internacionais, em particular com a América Latina).
Para tanto, será necessário mobilizar e desenvolver aspectos históricos da formação do capitalismo em nível mundial e da economia capitalista no Brasil; aspectos da formação da sociedade brasileira e da cultura política do País; aspectos da história do socialismo e da esquerda mundial e no Brasil. Esse princípio, ao partir dos objetivos mais próximos dos(as) militantes, favorece a compreensão da política nacional do PT e de seu papel na sociedade brasileira, bem como uma concepção não linear do processo histórico.
A história do País e da América Latina serão tratadas a partir de leituras de suas principais contradições em todos os campos e não de uma sucessão de fatos no tempo.
A discussão do projeto nacional e dos aspectos históricos em questão deverá ser feita a partir da perspectiva de afirmação da igualdade étnico-racial e de gênero, dos direitos humanos e respeito à diversidade sexual, perspectiva defendida pelo PT desde sua fundação, e de um desenvolvimento sustentável comprometido com a preservação da vida e de todas as condições ambientais para desenvolvê-la.
Nesse âmbito, serão tratados os temas relativos à história, organização e funcionamento do PT. O grau de profundidade, diversidade e complexidade dos temas a serem trabalhados, a partir do eixo indicado, dependerá dos(as) destinatários(as) de cada curso.
Para levar a efeito essa perspectiva, faz-se necessária, portanto, a reativação permanente do debate metodológico – que deve ser visto como parte integrante do próprio processo de formação política – que envolva os dirigentes partidários e a militância. As opções metodológicas serão feitas tendo como parâmetros o projeto político do partido e a formação de sujeitos capazes de formular e desenvolver o pensamento crítico.
2. Concepção teórico-metodológicaSegundo a decisão do 3º Congresso Nacional do PT “os processos de formação, por seu conteúdo teórico-político e por sua metodologia, devem contribuir para que os(as) militantes se tornem sujeitos da formulação, das decisões e de uma ação política transformadora tanto junto aos movimentos sociais quanto no plano institucional. Para tanto, a experiência de nossos(as) militantes, em todas as dimensões, deve ser valorizada e considerada”.
A perspectiva definida pelo 3º Congresso deve se constituir na referência para que a formação política seja realizada a partir da mediação entre os conhecimentos e experiências dos(as) militantes e os conhecimentos que se pretende que eles(as) se apropriem. Portanto, os conteúdos e a organização dos cursos devem permitir a interação com as experiências políticas e intelectuais – individuais e coletivas – dos(as) participantes.
Por outro lado, além de uma mediação marcada pela interatividade, o tratamento dos temas deve ser realizado a partir de uma visão plural, de maneira a permitir que as pessoas construam conhecimento e desenvolvam a capacidade analítica e crítica de maneira ativa, isto é, compreendendo a sua trajetória e tornando-se sujeitos de seu processo de formação. Pretende-se, por essa via, incentivar a inquietação política e estimular a autoformação como prática constante, voltada a alimentar a elaboração e qualificar a prática política.
Para que os processos de formação ocorram a partir desses referenciais, será necessário que os coletivos de formação política em nível municipal e estadual sejam vigorosa e intensamente fortalecidos, de sorte a contribuir para o desenvolvimento dos cursos, para a realização das avaliações e formulação de propostas de aperfeiçoamento, juntamente com as equipes da Escola.
Estratégias para a formação – Atividades presenciais e virtuais
As atividades formativas desenvolvidas pela ENFPT contam com roteiro metodológico e de conteúdo, vídeo-aulas, indicação de referências de pesquisa e orientações para estudo, leitura, reflexão, debate e síntese. Todo curso presencial terá uma versão navegável, disponível no portal.
Educação on-line
As características da Escola Nacional de Formação do PT e o contexto em que se insere, levaram à opção pela ampliação dos espaços formativos, por meio do uso estratégico e colaborativo das tecnologias de informação e comunicação.
O projeto de Educação Online da Escola tem por objetivo refletir e propor soluções para o uso destas tecnologias nos processos formativos.
Esta não é uma reflexão nova, o acúmulo sobre a relação entre comunicação, educação e tecnologias é enorme e percorre o mundo todo. Mas o contexto de uma escola de formação de um partido de esquerda com as características do PT e as características e tamanho do Brasil, certamente traz novos elementos e relações para a reflexão.
A opção foi por desenvolver um projeto no âmbito da Escola e não trazer soluções ou metodologias prontas. Nossas especificidades trazem desafios particulares ao pensar no uso estratégico destas tecnologias para ampliar, aprofundar e democratizar os espaços formativos de um partido educador e educando.
É por isso que o Projeto de Educação Online da Escola Nacional de Formação do PT está e estará em construção constante. O uso estratégico das tecnologias de informação e comunicação está relacionado com a apropriação, pela Escola, das culturas de uso propostas e geradas pela experiência, como mais um dos elementos estratégicos abarcados nas metodologias desenvolvidas.
A educação online, portanto, não é uma modalidade de cursos, mas sim uma estratégia pedagógica e metodológica da Escola, que dialoga com todos os seus espaços e ações (sejam presenciais ou virtuais).
O online é entendido como espaço de continuidade de temas, conhecimentos e práticas, com possibilidades diferenciadas de comunicação, que necessita de habilidades e estratégias comunicacionais, modelos de organização, planejamento, metodologia e mediação pedagógica específicos.
Estrutura e Funcionamento
Diretoria
A Diretoria da ENFPT é composta pelo(a) titular da Secretaria Nacional de Formação do PT, pelo(a) titular do Núcleo de Formação da Fundação Perseu Abramo e mais dois membros indicados pelo Conselho.
São diretores e diretoras da Escola:
Alexandre Macedo de Oliveira – Diretor da Fundação Perseu Abramo e da Escola Nacional de Formação do PT
Osvaldir Freitas – Diretor da Escola Nacional de Formação do PT
Tais Maciel – Secretária Estadual de São Paulo e diretora da Escola Nacional de Formação do PT
Tássia Rabelo – Secretária Nacional de Formação do PT e diretora da Escola Nacional de Formação do PTConselho
O Conselho é composto por 16 membros, sendo um(a) titular da Secretaria Nacional de Formação do PT, um(a) titular do Núcleo de Formação da Fundação Perseu Abramo e outros 14 membros indicados pelo Diretório Nacional, sendo 9 necessariamente do DN e 5 membros filiados(as), com experiência e contribuição reconhecida ao PT.
Tanto a Diretoria quanto o Conselho da Escola Nacional de Formação são compostos respeitando-se a paridade de gênero.
Equipe
A Escola Nacional de Formação também possui uma equipe constituída por formadores(as), consultores(as) e colaboradores(as), responsáveis pelo desenvolvimento e realização dos cursos.
A Escola conta ainda com profissionais de comunicação, design e tecnologia, responsáveis pela Comunicação e Difusão dos conteúdos e atividades formativas realizadas, por meio do Portal, Redes e comunicação institucional.Coletivos Estaduais de Gestores da Formação
Em cada estado, além das atribuições dos Secretários e Secretárias de Formação, a ENFPT conta com os Coletivos Estaduais de Gestores da Formação, dedicados a concretizar o Plano Nacional e Planos Estaduais de Formação Política.
Formação e Memória
“A evolução das sociedades, na segunda metade do século XX, elucida a importância do papel que a memória coletiva desempenha. (…) A memória coletiva faz parte das grandes questões das sociedades desenvolvidas e das sociedades em vias de desenvolvimento, das classes dominantes e das classes dominadas lutando todas pelo poder ou pela vida, pela sobrevivência e pela promoção” (Jacques Le Goff).
Essa constatação do historiador francês nos faz entender que a memória coletiva tem sido particularmente depois do advento do capitalismo, objeto de intensa disputa de significados e interpretações.
Significados que, ao longo do tempo e sob a forma da ideologia, ocultaram o real ou, como pensamento crítico, ocuparam-se em desvelá-lo.
Nos últimos vinte anos, o processo sem precedentes de globalização econômica e cultural, em função particularmente da Internet, associado à hegemonia neoliberal, instaurou uma noção de tempo e espaço aprisionada ao presente, ou seja, como uma sucessão de fatos sem nexo e sentido, cujo objetivo é a aniquilação da memória e a consagração do fim da história.
Para a esquerda e, particularmente para o PT, a luta pelo socialismo, por justiça social, pela superação das desigualdades e afirmação de direitos sociais universais – num contexto nacional e mundial em que as orientações neoliberais seguem insistindo nas mesmas concepções predatórias, que só têm causado miséria, exclusão, violência e xenofobia – não pode se tornar hegemônica se não houver um movimento teórico e político que sustente transformações estruturais no Brasil, na América Latina e em termos internacionais.
Tal movimento requer a valorização e preservação da memória e o conhecimento histórico.
O PT, como um partido de esquerda, tem se ocupado da preservação de sua memória por meio do Centro Sergio Buarque de Holanda, da Fundação Perseu Abramo. Tal conduta é imprescindível para o exercício da reflexão crítica sobre a sociedade e sobre as formulações, definições e práticas partidárias.
A Escola Nacional de Formação do PT tem buscado, em seus cursos e práticas, fortalecer essa dimensão da compreensão do partido. Em primeiro lugar, preservando sua documentação – escrita e digital –, em segundo, colocando seu acervo à disposição de todos os(as) filiados(as) do partido e, em terceiro, tornando disponível um conjunto de indicações de livros, filmes e músicas.
Comunicação e Difusão
Portal
O Portal da ENFPT é um espaço de formação continuada que alia estratégias de comunicação e uso de tecnologias e tem como objetivos:
- Constituir um espaço de referência, memória e reflexão sobre a formação partidária num partido de esquerda, por meio da disponibilização e organização dos conteúdos (em diversos formatos) e de seus fundamentos teóricos, de debates mediados, da valorização da memória da formação no PT (relatos, entrevistas e documentos) e da publicização e documentação das ações da ENFPT;
- Tornar disponíveis diversos conteúdos organizados, permitindo a integração e a interação do/a internauta da maneira que lhe for mais aproveitável. Assim, a informação disponibilizada pode ser mais facilmente utilizada nos processos de criação de conhecimentos;
- Manter comunidades online de aprendizagem colaborativa e compartilhada, voltadas para a ação/transformação do indivíduo e de seus contextos. O objetivo é trabalhar a conexão de conhecimentos, discutir princípios e políticas que têm norteado a atuação dos militantes junto aos movimentos sociais, nos governos e parlamentos, num movimento para que as pessoas se relacionem a partir das ações da Escola;
- Proporcionar um processo de apropriação e reflexão das tecnologias e ferramentas utilizadas;
Comunicação e difusão
A Escola Nacional de Formação do PT também está nas redes sociais.
O Facebook, Instagram e o Twitter ampliam as possibilidades de comunicação entre a Escola, os(as) filiados(as) e militantes do PT, bem como se constituem em espaços para a divulgação permanente das atividades de formação e dos conteúdos que produzimos. Além disso, a Escola se relaciona com outros meios de comunicação do Partido dos Trabalhadores: o portal do PT e o site da Fundação Perseu Abramo.Diários de Formação
Os Diários de Formação divulgam as atividades de formação política realizadas por estados e municípios, por meio de relatos e imagens, de modo a se constituir uma memória dessas formações.
Os objetivos são integrar as atividades estaduais de formação com o plano nacional da ENFPT e incentivar os estados a realizarem seus planos de formação.
Para que as informações dos Diários de Formação estejam sempre atualizadas, é fundamental o envio dos registros das atividades de formação locais, o que inclui um breve relato da formação e fotos.
Os registros podem ser enviados pela área específica de envio de relatos, aqui mesmo no site, clicando aqui.
É importante lembrar que as fotos devem sempre vir acompanhadas de legenda e crédito do fotógrafo.